Luís Alves destaca papel do Erasmus+ na Ucrânia após receber Ordem de Mérito das mãos de Zelensky

27-08-2026

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Luís Alves, Diretor da Agência Nacional Erasmus+ Juventude/Desporto e Corpo Europeu de Solidariedade, recebeu das mãos do Presidente Volodymyr Zelensky a Ordem de Mérito da Ucrânia - III Grau, durante as celebrações dos 35 anos da independência do país, em Kyiv.

A distinção tinha sido atribuída por decreto presidencial em janeiro de 2026, reconhecendo o contributo para o reforço da cooperação internacional, o apoio à soberania e à integridade territorial da Ucrânia e o trabalho desenvolvido em articulação com o país. Na cerimónia, Luís Alves foi o único cidadão estrangeiro, além de chefes de Estado e de Governo, a ser condecorado.

Depois da cerimónia, o Diretor da Agência Nacional falou a diferentes órgãos de comunicação social portugueses a partir da capital ucraniana, enquadrando a distinção no trabalho de cooperação desenvolvido através do Erasmus+ e da rede europeia de Agências Nacionais.

 

“Foi um momento muito emocionante”

Luís Alves descreveu a entrega da condecoração como “um momento muito emocionante”. Apesar de saber desde janeiro que tinha sido distinguido, não conhecia antecipadamente as circunstâncias em que receberia a insígnia.

A entrega durante as celebrações da independência e diretamente pelo Presidente ucraniano conferiu, explicou, uma dimensão particular ao momento. “Não sabia que ia receber a condecoração neste contexto, nesta circunstância, nas celebrações dos 35.º aniversário da independência da Ucrânia, pelas mãos do próprio Presidente, do Presidente Zelensky”, afirmou.

Luís Alves chamou ainda a atenção para o significado da própria cerimónia, que homenageou também cidadãos que morreram ou fizeram sacrifícios pela defesa do país. “A guerra não é nada de romântico”, afirmou, recordando que entre os condecorados estavam “pessoas que deram a vida pela Ucrânia” e “pessoas que deram muito de si pela liberdade do seu país”.

 

Erasmus+ como resposta num país em guerra

Nas intervenções aos órgãos de comunicação social, Luís Alves colocou a distinção num plano mais amplo, relacionando-a com o trabalho desenvolvido entre instituições europeias e ucranianas e com a utilização dos programas europeus num contexto marcado pela guerra.

Segundo o Diretor da Agência Nacional, falar de Erasmus+ na atual realidade ucraniana representa também uma manifestação de confiança no futuro do país, ao mesmo tempo que permite dar respostas concretas aos jovens, às organizações e às instituições.

Entre as áreas referidas estão o reforço da capacidade institucional e da participação dos jovens e o apoio psicossocial dirigido a jovens em situação de dificuldade. Luís Alves salientou que o Erasmus+ se tornou, neste contexto, um instrumento de cooperação, apesar de não ser, à partida, “o programa mais óbvio” para desempenhar esse papel num país em guerra.

 

Uma conversa com Zelensky sobre Europa e com espaço para humor

Luís Alves revelou também alguns detalhes da conversa mantida com Volodymyr Zelensky no momento da condecoração. O encontro, contou, ficou marcado por palavras de “simpatia” e “confiança”, mas também por alguma descontração.

Os dois falaram sobre o trabalho desenvolvido e sobre aquilo a que Luís Alves chamou a “integração da União Europeia na Ucrânia”, invertendo deliberadamente a formulação habitual sobre o processo de integração ucraniana na União Europeia.

A conversa teve ainda um momento mais informal, relacionado com o fato usado pelo português e com os códigos de vestuário adotados em diferentes contextos institucionais. Luís Alves associou esse registo descontraído também ao percurso de Zelensky ligado ao humor antes de assumir a Presidência da Ucrânia.

 

“Toda a sociedade ucraniana” participa na resistência

Questionado sobre o ambiente que encontrou durante a permanência na Ucrânia, Luís Alves destacou aquilo que considera ser uma constante nas suas visitas ao país: o “grande compromisso coletivo” da sociedade ucraniana.

O Diretor da Agência Nacional sublinhou que essa resistência não se manifesta apenas através do esforço militar. Economia, cultura, educação, distribuição, caminhos de ferro e transportes foram algumas das áreas apontadas como parte da capacidade de funcionamento e resistência da sociedade em contexto de guerra.

Luís Alves incluiu ainda a vitalidade democrática nessa leitura. Na sua perspetiva, o debate e a participação existentes no país não devem ser interpretados como um sinal de fragilidade, mas como outra dimensão da resistência de uma sociedade que procura defender simultaneamente “o seu país”, “a sua independência”, “a sua liberdade” e a opção por um futuro democrático e europeu.

 

Cooperação com a Ucrânia mantém-se no terreno

A deslocação de Luís Alves a Kyiv integra um conjunto de visitas a projetos e reuniões relacionadas com o esforço de cooperação que envolve a Agência Nacional e a rede europeia de Agências Nacionais Erasmus+.

A Ordem de Mérito - III Grau recebida em Kyiv insere-se, assim, num percurso de cooperação desenvolvido com entidades e instituições ucranianas e num trabalho que procura utilizar os instrumentos europeus de juventude, educação não formal e solidariedade para responder às necessidades presentes, reforçar capacidades e manter oportunidades para os jovens num contexto de guerra.


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